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Saúde Mental – Ser feliz em 2021

Todo começo de ano é marcado pelas famosas “resoluções de ano novo”, onde examinamos o ano vivido no intuito de projetar novos objetivos para o ano que começa. A busca por melhorias e bem-estar é essencial para a nossa existência; essas pulsões de vida nos motivam a crescer e se desenvolver. No entanto, estaríamos buscando o que realmente nos faz felizes? 

A felicidade é uma realidade 

A boa notícia é que a felicidade existe! Um recente estudo feito pela Universidade de Gent revelou que 35% dos belgas se consideram muito felizes. Quando presente, a felicidade parece não se importar com idade, sexo, aparência física, nível de educação ou condição financeira.  

Mesmo se sabemos que a felicidade existe, seríamos incapazes de defini-la. Como todos os sentimentos, ser feliz é uma experiência subjetiva que pode se apresentar de maneiras inesperadas. Existem inúmeros exemplos de pessoas necessitadas que, mesmo assim, são felizes. Em contrapartida, todos conhecemos histórias de pessoas bem-sucedidas, mas insatisfeitas com suas vidas.  

A felicidade sendo um conceito subjetivo é imprescindível ponderar os elementos que realmente nos fazem felizes.  

O que te traz felicidade? 

Existe uma tendência de considerar a felicidade como uma soma de critérios específicos, sugerindo a existência de uma fórmula para atingir o bem-estar. Muitos pressupõem que ter uma boa forma física e ser bem-sucedido no amor, nos estudos e no âmbito financeiro trazem felicidade. Porém, estudos recentes indicam que esses fatores não nos trazem o tanto de felicidade que imaginamos. 

1) Bens materiais 

Em um estudo longitudinal, Nickerson (2003) e sua equipe estudaram a correlação entre a felicidade e a aquisição de bens materiais. Em 1976 e 1996, o mesmo grupo de indivíduos foi questionado sobre suas atitudes materialistas. Surpreendentemente, os resultados do estudo indicam que os indivíduos mais materialistas se tornaram os mais insatisfeitos 20 anos depois.  

2) Boa forma física 

Em 2014, Jackson (2014) e sua equipe acompanharam durante quatro anos um grupo de 2.000 pessoas com obesidade. Sabendo que a perda de peso é fortemente associada com a diminuição de riscos cardiovasculares, o objetivo deste estudo era investigar se a perda de peso é igualmente associada com a felicidade. O estudo analisou três grupos de indivíduos, os que perderam peso, os que ganharam peso e os que mantiveram o peso inicial. A conclusão indica que as pessoas que emagreceram estavam significativamente mais deprimidas que as que não seguiram um regime alimentar restritivo. 

3) Casamento 

O casamento, união consensual entre dois indivíduos que se amam, é uma noção moderna que surgiu em meados do século XIX. Desde então, este conceito é entendido como a panaceia para a felicidade.  

Entretanto, Lucas e sua equipe (2003) seguiram um grupo de 25.000 indivíduos durante 15 anos para investigar se as pessoas que se casam são de fato mais felizes que os solteiros. Os resultados deste estudo revelam que as pessoas casadas são de fato mais felizes que as pessoas solteiras. Porém, essa diferença existe somente nos 2 primeiros anos; depois deste período, solteiros e casados obtiveram o mesmo nível de felicidade. É importante frisar que, em casos de infelicidade matrimonial, o nível de felicidade dos solteiros é maior que dos casados. 

Intuições sobre a felicidade 

Os estudos citados sugerem que nossas maiores intuições sobre a felicidade são deturpadas. Aquilo que pensamos nos trazer felicidade nos faz menos felizes do que acreditamos. Ao contrário, a adversidade nos impacta menos do que pensamos. Como explicar essa discordância? 

1) Comparação social 

Nosso cérebro não pensa de maneira absoluta e objetiva (sou feliz porque tenho uma casa, um trabalho, uma boa saúde e relação amorosa), mas sim de maneira relativa. Estamos sempre nos comparando com o meio social, cultural, econômico do qual fazemos parte; o que nos torna constantemente insatisfeitos. 

2) Nosso espirito é feito para se acostumar 

Ter muito dinheiro, uma boa casa e bons estudos trará felicidade no início. Com o tempo, isso se tornará uma norma e cessará de ser uma fonte de felicidade. 

Como mudar essa tendência em 2021? 

Compartilhar experiências diversificadas é o que mais nos satisfaz. Nada traz melhores lembranças que momentos de qualidade com pessoas que estimamos. Re-experimente as ações cotidianas. Ao invés de sempre ir ao trabalho da mesma maneira, tente, por exemplo, ir de bicicleta ou a pé. Faça avaliações negativas, tente imaginar como era sua vida antes de ter conseguido algo que almejou. Este exercício nos permite sair da habituação e reviver momentos agradáveis. 

Não negligencie a sua saúde mental! 

Felipe Fernandes Patury 

Psicólogo clínico formado pela ULB com especialização em acompanhamento psicológico da parentalidade pela UCL. Possui experiências no meio hospitalar (Hospital Sírio Libanês, CHU Brugmann) e em gabinete privado, trabalhando com etno-psicologia, terapia familiar e de casal, sexualidades, imigração, dependências químicas, desenvolvimento infantil, burnout, depressão, ansiedade, distúrbio bipolar, acompanhamento em cuidados paliativos e cirurgias bariátricas.  

AÇOUGUE COSTELA

Fácil acesso. 

à 5 minutos da Gare du Midi, em Saint-Gilles.

Espaço moderno de 130 m2.

Estacionamento privado com 8 lugares.

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