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O novo Cônsul-Geral do Brasil em Bruxelas  traz esclarecimentos para a comunidade 

O Embaixador José Humberto de Brito Cruz, recém-chegado na Bélgica, é o novo Cônsul-Geral em Bruxelas. Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1958, mas passou sua infância e juventude em São Paulo, onde se formou em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Em 1983, ingressou no Instituto Rio Branco e na carreira diplomática. Foi Secretário de Planejamento Diplomático no Ministério das Relações Exteriores (2011-2013), Diretor do Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais (IPRI) (2014-1015) e Embaixador do Brasil no Reino do Marrocos (2016-2019).  

Em uma entrevista exclusiva para a revista, o senhor embaixador José Humberto de Brito Cruz esclareceu sobre seus planos futuros para o trabalho consular na Bélgica e Luxemburgo. 

ABclassificados – Qual foi a sua primeira impressão do Consulado-Geral do Brasil em Bruxelas? 

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – Minha primeira impressão foi excelente. A equipe é de primeira qualidade, integrada por pessoas muito qualificadas e muito dedicadas no atendimento ao público, na assistência em casos de necessidade, enfim, em todas as funções que compõem o dia a dia do trabalho consular. Tenho visto que a rotina aqui é muito intensa. São, em média, mais de 100 atendimentos por dia. No ano de 2018, foram expedidos quase 3.700 passaportes, lavradas milhares de procurações, escrituras, declarações e outros atos, centenas de registros de nascimento e de casamento. É muito trabalho e o pessoal o faz muito bem, sempre sob pressão e muito consciente de como é importante fazer tudo dentro da estrita observância das leis do Brasil, assim como da Bélgica e de Luxemburgo. 

ABclassificados – Quais são suas expectativas para essa nova jornada aqui na Bélgica? 

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – Minha expectativa é a de tentar contribuir para o aprimoramento da prestação de serviços aos brasileiros na Bélgica e em Luxemburgo, que formam uma comunidade cada vez maior e mais dinâmica. 

ABclassificados – Quais são os seus planos imediatos? 

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – No momento, estou realizando muitos contatos com autoridades belgas, para estabelecer canais de diálogo, que são imprescindíveis, assim como com membros da comunidade brasileira, para melhor conhecer a situação de nossos compatriotas aqui na Bélgica e em Luxemburgo e para ter conhecimento de iniciativas e projetos em andamento que sejam de interesse de nossa comunidade.  

ABclassificados – Qual é, ao seu ver, o maior desafio? 

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – O principal desafio é o de assegurar que o Consulado-Geral esteja em condições de continuar a prestar serviços cada vez mais eficientes e mais ágeis à comunidade, e que possamos também prestar assistência nos casos de brasileiros que se vejam em situação grave de desvalimento ou que sejam vítimas de exploração ou abusos de qualquer tipo. Estarei muito atento para procurar ajudar principalmente nos casos de brasileiros cuja situação envolva aspectos de vulnerabilidade, especialmente casos de violência e abusos contra a mulher ou crianças. Quanto a Luxemburgo, logo que cheguei, tive conhecimento do interesse da comunidade de ter presença mais frequente nossa naquele país, e fiquei satisfeito porque foi possível organizar um “Consulado itinerante” lá no último dia 15/11, com grande êxito. 

ABclassificados– O senhor pretende dar continuidade às parcerias consulares? 

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – As parcerias são essenciais para o atuação do Consulado. Temos muita disposição de trabalho e uma equipe que, como já disse, é de alta qualidade. Mas não surpreenderei ninguém se disser que os recursos orçamentários de que dispomos são bastante limitados. O que fazer, então? Uma das respostas a isso, a meu ver, é a construção de uma rede de parcerias que nos permita “alavancar”, se posso dizer assim, esses escassos recursos, uma rede que nos ajude a mobilizar a enorme energia presente na nossa própria comunidade aqui. 

ABclassificados– Percebemos uma grande melhora no atendimento do consulado brasileiro, mas a população ainda parece insatisfeita, existe algum projeto em relação a isso? 

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – Agradeço esse reconhecimento do esforço de atendimento ao público no Consulado. É importante que haja essa palavra de reconhecimento, porque o trabalho da equipe é realmente intenso e é diário.Naturalmente, isso não impede que haja reclamações. Faz parte. Primeiro, porque a demanda é muito grande e ninguém gosta muito de ficar na fila, de ter que voltar no dia seguinte porque faltou um documento, ou de descobrir que o trâmite burocrático se revela mais complicado e mais demorado do que gostaríamos que fosse. Depois, é perfeitamente possível que haja aspectos em que se possa melhorar o atendimento, e estaremos atentos a isso, procurando ouvir as eventuais críticas, analisar as razões, entender os problemas e buscar soluções inteligentes e baseadas no respeito ao cidadão. Isso é uma obrigação de quem trabalha no serviço público.  

ABclassificados– E como foi a experiência de contato com a comunidade brasileira no “Café com o Cônsul”?  

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – Pareceu-me muito interessante. Havia muita gente, com a sala tão cheia que alguns já não encontravam lugar onde sentar. E a participação foi intensa e de grande qualidade. Foi, para mim, uma oportunidade inestimável de ouvir em primeira mão algumas das preocupações de nossa comunidade na Bélgica e em Luxemburgo.Falou-se de exploração no trabalho – brasileiros que ficam sem receber seus salários, por exemplo –, em violência doméstica, da necessidade de atenção a questões relativas à guarda de menores, do interesse em fazer um mapeamento da composição de nossa comunidade. Pude também ouvir manifestações dos dois grupos que apresentaram candidaturas para o Conselho de Cidadania (CCBL), ambos com muito interesse em participar e colaborar em iniciativas de interesse da comunidade. 

ABclassificados– O senhor se reuniu com alguns representantes da comunidade? O que  percebeu de necessidades? 

Embaixador José Humberto de Brito Cruz – Sim, tenho me reunido com representantes da comunidade, por enquanto, na área de Bruxelas, e mais adiante o farei também em outras cidades e províncias onde há presença expressiva de brasileiros, bem como em Luxemburgo. As necessidades são muito variadas, e há situações muito diversas. Vão desde as providências individuais ou familiares ligadas ao registro civil – os registros de nascimento, de casamento, os reconhecimentos de paternidade – até questões de outra ordem, como, por exemplo, o ensino do português para os filhos de brasileiros, a promoção de iniciativas de valorização de nossas raízes culturais, ou o aprendizado do francês ou do neerlandês, essencial para a inserção no mercado de trabalho belga assim como para uma boa integração na sociedade local. Uma parte importante de nossa comunidade aqui não está em situação imigratória regularizada, o que coloca, para esses nossos concidadãos, dificuldades e desafios que são importantes e precisam ser levados em conta. 

A violência doméstica e infantil foi um dos assuntos debatidos no Café com o Cônsul  

A Dra. Carina Felix, formada em Direito no Brasil, jurista e mediadora, atua na área de violência doméstica e infantil, faz parte da coordenação de uma associação chamada Rede Revibra (rede de brasileiras vítimas de violência doméstica na Bélgica e Luxemburgo). Ela esteve presente no Café do Cônsul e sugeriu algumas propostas para a melhoria do projeto Revibra, pois segundo os dados da STATEC, o número de brasileiros vem crescendo cada dia mais em Luxemburgo, e o que mais lhe preocupa e vem se destacando são os pedidos de ajuda contra a violência doméstica correlacionados às mães de filhos binacionais.  

Dra. Carina propôs ao consulado uma parceria para atuar como voluntária dando apoio de 1ª linha, sendo uma ponte para esses brasileiros que precisam de ajuda, e solicitou maior atuação do consulado em Luxemburgo, com um ponto fixo pra auxílio e consultoria jurídica ou uma participação mais constante através dos itinerários. 

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